sexta-feira, dezembro 12

Tudo começou em Karmesin, um vilarejo entre as florestas de Velória, fui encontrado aos trapos e feridos a beira de uma estrada, inconsciente e ferido, duas jovens criaturas me encontraram, um macho e uma fêmea. Dias a frente estava com as minhas feridas curadas e sem vestígio algum de memória.

Quem sou eu?

 

Vilarejo este habitado por um tipo de criatura denominados meio-elfos, uma mistura de humanos com deuses caídos neste mundo que ainda desconheço o nome. Logo fui chamado de Mayanter, em que sua língua significa "O sobrevivente, inimigo do tempo", aparentava-me ter uns 25 anos, corpo forte dotado de inúmeras cicatrizes. O casal de irmãos Lotem e Tuliran me acolheram em sua residência e uma vida costumeira começava a nascer.

Acordar de manha, ir às lavouras e plantar arroz no principio pareciam tarefas tediosas, mas que com o tempo me tornaram total adepto desta cultura. Momentos de meditação e de confraternização entre os demais da vila me traziam aos poucos o prazer de ressumar uma vida perdida e que talvez jamais pudesse recuperar.

Noites de terror e pequenos fragmentos em meu sonho não faziam nexo algum a alguma recordação das minhas memórias perdidas, me lembro da velha Toriana com seus diversos apetrechos druídicos e chá mirabolantes que juravam fazer a minha memória retornar. A cada gole me sentia mais calmo, apesar de não recordar absolutamente nada, a minha nova vida, ou renascimento me acalentavam e a paz em meu coração aos poucos foi ressurgindo.

Lotem era, apesar de um agricultor, um exímio espadachim e com ele percebi que tinha talentos ocultos que me tornavam cada vem mais habilidoso, com Tuliram aprendi que uma casa não simplesmente é um edifício de pedras e barro e que muito trabalho era necessário diante da tarefa de transformá-lo em um lar. Aos poucos fui enxergando que apresar de diferente dos outros podia considerar Karmesin em um lar, meu novo lar com o a minha nova família, se é que possui uma algum dia.

 

Tudo isso mudaria, em um treino de espadas percebi que tinha um dom, um dom sem descrição, mas sentia o tempo exato de quando seriamos ameaçados, como sei disso? Levou tempo até ter consciência, porem em minha primeira experiência, uma reação instintiva me fez repensar no que eu realmente estaria fazendo neste mundo.

terça-feira, dezembro 9

Cá estou a escrever algo que jamais pensaria em fazer, ligeiramente não imaginava esta possível entre as infinitas possibilidades de me comunicar, de me descrever e de me referenciar na linha do tempo em que o mundo acredita estar trilhando. Muitos me chamam de louco, outros como um profeta, outros dotado de dons, divinos ou demoníacos dependendo de qual lado estou sendo fotografado.

Fato que me garanto e empunho em meus lábios a verdadeira sabedoria da conexão entre o meu tempo e o seu, que estágios de evolução do ser vivo não depende de quanto tempo ele viveu, mas sim de quantas experiências ele passou. Fragmentos de minha memória me atormentam, saber que estive em algum outro lugar e que vivi uma outra vida, me aterroriza todas as noites, porem meu temor é acalentado pela esperança de que tudo isso não passa de minha invenção e que onde eu vivo é o tempo que esta passando.

 

Não me chamem de louco!

 

Apenas acredito que o meu estagio de vida esta a um ponto que seu tempo e o meu não podem ser medidos com as mesmas unidades, estou aqui e sou a prova disto, que o universo cósmico criado por minha mente faz com que vocês e todos os seus entes queridos vivem por minha vontade. Deus? Eu?

Quanto lisonjeio isso me traz, longe desta entidade é que ainda me encontro, talvez no caminho de viver com ele eu possa estar trilhando. Hoje estou aqui em frente a uma tellurian sensível que com pouco esforço me permitem transmitir idéias através do tempo, através da matéria e, ou melhor, através de todas as nossas experiências.

Neste exato momento estou a beira de um precipício a ponto de me fundir a união de inúmeras experiências, que se eu decidir dar o próximo passo, jamais saberei se poderei relatar isso novamente. Engaçado saber de tudo e agora temer o que há de ocorrer.

 

Comecemos então do principio.